A CHAMADA "DESCOLONIZAÇÃO" ASSENTOU EM LEI ANÓNIMA AQUANDO DA EXISTÊNCIA DE GOVERNOS PROVISÓRIOS SEM LEGITIMIDADE CONSTITUCIONAL.

O PROCESSO DA TRAIÇÃO: Este poderia muito adequadamente ser a designação de causa posta em tribunais sobre a (descolonização exemplar). Talvez mais expressiva do que a da cadeia, será - O JUÍZO DA HISTÓRIA -.


TERRORISMO, OS MASSACRES DE 15 MARÇO 1961.

TERRORISMO NOS GENOCÍDIOS CONTRA A HUMANIDADE:

O COMBATE AO TERRORISMO E, O ANIQUILAMENTO TOTAL DOS TERRORISTAS E SUA BARBÁRIE,  É UMA OBRIGAÇÃO MORAL QUE CABE A TODO O HOMEM  DE BEM,
E AO MUNDO CIVILIZADO!

ANGOLA, 1961: 
O ano começou com os tradicionais votos de ano novo trocados entre a família, vizinhos e amigos, dentro da paz e da convivência fraterna e do trabalho entre etnias ao longo dos séculos.
Mas, seria um ano trágico para Angola.

             No dia 11 de Janeiro, na Baixa do Cassange, os nativos instigados por criminosos do Congo pertencentes ao Abako, fazem uma greve nas plantações algodoeiras da empresa Luso-Belga Cotonang, no distrito de Malange e, desencadeiam uma insurreição denominada por “Maria” nome de um dos seus instigadores, António Mariano, da UPA, apoiado e instigado pelo Abako de Kasavubu, Lumumba e Holden Roberto, os trabalhadores camponeses queimaram sementes, destruíram pontes fluviais, alfaias agrícolas, incendiaram e destruíram campos agrícolas, missões católicas, lojas e casas de brancos. Ao mesmo tempo que destruíam louvavam e davam vivas a Lumumba e ao Abako.
As forças armadas portuguesas vencem a revolta devido à acção das Companhias Especiais de Caçadores e à intervenção da Força Aérea.     
Presos os responsáveis pela instigação ao crime e à desordem, este acto foi considerado um caso isolado, sem graves consequências para o povo de Angola.

Os trabalhadores nativos nos campos da Cotonang.

Destruição por fogo posto  das tendas que serviam como restaurante
aos trabalhadores.
As casas saqueadas e destruídas por fogo posto pelos insurrectos.
                             Militares de uma das Companhias Especiais de Caçadores.   
As casas destruídas e saqueadas pelos insurrectos. 
com a chegada das Companhias Especiais de Caçadores,
a população da zona procurou protecção junto aos militares.




Na madrugada de 03 para 04 de Fevereiro 1961, o rebentamento de um foguete num muceque nas proximidades da cadeia de S. Paulo, dava o sinal para que mais de duzentos e cinquenta terroristas divididos em três grupos, armados com catanas em punho, deixassem os bairros e avançassem para a Casa da Reclusão Militar; A Companhia Móvel da PSP (7.ª Esquadra); A Cadeia da Administração de São Paulo; A Companhia Indígena; E a Estação dos Correios. “Dois carnavais” era a senha de cumplicidade, entre quem estava a preparar à largos meses os assaltos às cadeias de Luanda. 
      

Manuel Alves das Neves, o cónego Terrorista.



Na primeira linha aparecia o cónego mestiço, Manuel Alves das Neves, natural da vila do Golungo Alto, que integrava a igreja católica, como vigário geral da Diocese de Angola. Manuel Alves das Neves servia de ligação entre os presos, os seus familiares e os chefes do terrorismo no estrangeiro, e com o padre "católico" Joaquim Pinto de Andrade e o irmão Mário Pinto de Andrade, que recebia na sua casa perto da Sé em Luanda. Manuel Alves das Neves era, sobretudo, um instigador a partir do seu pequeno quarto da  Igreja da Nossa Senhora dos Remédios, Sé Catedral de Luanda, nos ataques que há muito tempo vinha a organizar, e que esperava um feito espectacular para esse acto, era também director do jornal Apostolado, onde conseguia fazer passar mensagens subtis para o exterior, ao mesmo tempo que dava notícias sobre os movimentos dos terroristas, feitas através de mensageiros negros na grande maioria provenientes do Congo recrutados por Neves Adão Bendinha, empregado de escritório, que passou a activista da UPA. O cónego não só tinha conhecimento, desde o início,  do nascimento da UPA no Congo Belga como apoiava, dirigia, angariava  terroristas, e participava activamente no terrorismo a partir de Luanda. 


Com os dinheiros das doações feitas à igreja, o cónego comprou na empresa "Mabílio de Albuquerque" as camisolas e o tecido com que foram confeccionados os calções envergados pelos terroristas, e na casa de ferragens "Castro Freire" comprou as catanas. 
Para não levantar suspeitas, o cónego pediu a um fazendeiro amigo para comprar as catanas, alegando querer distribui-las por camponeses nativos. Francisco Pedro Miguel integrante do grupo terrorista do ataque à Estação dos Correios, foi pessoalmente buscar duas caixas com catanas à empresa Castro Freire, levando-as para a Sé Catedral onde Manuel Alves das Neves as escondeu sob o Altar e nos dois campanários igreja, e ajudou afiar as lâminas das catanas e distribuiu-as pelos negros. Dispunha de mais de quatrocentos negros procedentes do Congo Belga e alguns oriundos do norte de Angola, treinados perto do morro da Cal no Cacuaco, e armados com catanas. Sob a liderança e coordenação de Manuel Alves das Neves e dos que se reuniam sucessivamente em casa de uns e de outros nos bairros periféricos de Luanda, muceques, Sambizanga e no Rangel, onde  entre 1959 e 1960 foram distribuídos numerosos panfletos da UPA, coincidindo com os ataques no Congo Belga.
Os congoleses e os emissários vindos de Léopoldville para Luanda recebiam treinos militares em Léopoldville por instrutores militares treinados nos campos soviéticos de Conakry ou de Pequim,  infiltraram-se no muceque Sambizanga por ser uma zona de referência estratégica da capital, sob a orientação de Bento António (pedreiro e cabo africano do exército português), tinham a incumbência de treinarem os terroristas, ministrando-lhes rudimentos de treino militar perto do morro da Cal no Cacuaco.


Do Livro "LONGE É A LUA" - Memórias de Luanda-Angola, de Rogéria Gillemans. Op. cit., P.98 a 102, ISBN 978-989-20-1341-1. Reservado o direito de autor, previsto e protegido pela Lei, como tal, a sua cópia total ou parcial não autorizada é um acto ilícito passível de acção, previsto na Lei!




A mobilização destes terroristas foi feita no Congo Belga, e alguns do grupo étnico Bakongo do Congo Português-norte de Angola, essa mobilização principiou em Novembro de 1960. Alguns destes congoleses tinham sido os instigadores à mobilização e à desordem dos trabalhadores dos campos de algodão da Cotonang, empresa luso-belga, na baixa do Cassange. 
Nos bairros periféricos de Luanda, os principais cabecilhas dos terroristas eram Neves Bendinha, Domingos Manuel, Paiva Domingos da Silva, Raul Deão e Virgílio Francisco (este último chefe do grupo que atacou a Estação dos Correios, Telégrafos e Telefones). Eles mantinham informado o cónego, sobre todos os acontecimentos e movimentos dos terroristas. Em 1960, por decisão do cónego, os negros Luís Alfredo Inglês e Pedro César de Barros partiram para o Congo para pedirem ajuda em armas aos apoiantes congoleses.

Os ataques em Luanda estavam planeados para o dia 13 de Março, de forma a coincidirem com os assassinatos no norte e com o debate sobre Angola nas Nações Unidas. Enquanto decorriam os preparativos terroristas, o navio Santa Maria, um dos paquetes com mais luxo na época, pertencente à Companhia Nacional de Navegação, foi tomado de assalto e desviado da sua rota por Henrique Galvão e corria o boato que ele dirigia o navio para as costas de Angola, Luanda foi subitamente invadida por dezenas de jornalistas estrangeiros.
A presença dos jornalistas estrangeiros em Luanda era a oportunidade esperada, e precipitou os acontecimentos terroristas. Deliberadamente os criminosos passaram à acção, faltava apenas comunicar a decisão a Manuel Alves das Neves e obter a sua aprovação. 
Salvador Sebastião (estafeta da Junta de Povoamento) foi o escolhido para essa missão. Na manhã de sexta-feira do dia 3 deslocou-se à igreja da Nossa Senhora dos Remédios e explicou ao cónego, a mudança de planos, comunicou que os criminosos tinham deliberado passar à acção na madrugada seguinte, o cónego anuiu e abençoou os ataques. 

Na madrugada de 03 para 04 de Fevereiro, sete agentes da autoridade e um cabo do exército, quando cumpriam o seu serviço de rotina foram cobardemente e, traiçoeiramente, assassinados, sem se poderem defender, foram assassinados com requintes de selvajaria, cortados à catanada, foram as primeiras vítimas da horda assassina terrorista a soldo de potências estrangeiras com intenções bem conhecidas.
No ataque à Casa da Reclusão Militar, junto à praia do Bongo, morria degolado pelas catanas assassinas o cabo Silva do exército português, que viria a ser a primeira vítima da longa e terrificante madrugada de 03 para 04 de Fevereiro. E um soldado negro foi ferido com gravidade pelas catanas assassinas, cercado por dezenas de terroristas teve a coragem de entrar num jipe e escapar para se dirigir ao Quartel General para dar o alerta. Os presos que há muito tempo preparavam a sua fuga, pela informação passada e enviada pelo cónego Terrorista, Manuel Alves das Neves, à medida que avançavam pegavam em todos os objectos cortantes que encontravam, ao mesmo tempo que se apoderavam das armas. Na Casa da Reclusão Militar, estavam  presos terroristas ditos "politicos", do chamado “Processo dos 50”, referente a três processos sobre 50 presos por instigação ao terrorismo, iniciados a 29 de Março de 1959 estavam envolvidos neste caso o padre comunista Joaquim Pinto de Andrade, e o irmão Mário Pinto de Andrade. 


No ataque à Companhia Móvel da PSP (7.ª Esquadra) na estrada de Catete, eram assassinados à Catanada 7 agentes da autoridade, que se encontravam de serviço, foram vítimas de uma cilada ocorrendo a um chamamento de socorro de uma desordem fictícia, no terreno circundante, deserto, e pouco iluminado, sem se poderem defender pelo factor surpresa, nem reagir, foram mortos cobarde e traiçoeiramente à catanada, com requintes de selvajaria e crueldade.
Um grupo de terroristas dirigiu-se ao Aeroporto Craveiro Lopes para atacar e incendiar os aviões estacionados na pista e nos hangares, era encabeçado por Bendinha, que tinha como ajudante o carpinteiro Raul Agostinho Cristóvão, este assalto foi frustrado.
             Na Estação dos Correios, no bairro dos Correios, e na Companhia Indígena registaram-se escaramuças entre os criminosos e as forças da ordem. 
 Paiva Domingos comandou o grupo com 20 terroristas no assalto à Companhia Indígena, mas ao ouvirem os primeiros disparos o grupo recuou e fugiu. 
 Agostinho Cristóvão pretendia atacar em simultâneo com dois grupos, um chefiado por ele próprio ou por José Carmona Adão e outro por Paiva Domingos, a Cadeia da Administração civil no bairro de São Paulo, perante a reacção das forças da ordem os assaltantes não conseguiram atingir os seus objectivos e fugiram. Os militares portugueses alertados já tinham saído dos quartéis na perseguição dos assaltantes.
Esses assaltos foram catastróficos para os criminosos. Nenhum dos objectivos foi alcançado. 
Alguns conseguiram fugir para o Congo. Morreram nos assaltos, dezenas de Terroristas, sendo os restantes feridos, presos, e enviados  para o Forte de S. Pedro da Barra.

                   Na manhã de 04 de Fevereiro os portugueses são surpreendidos pela notícia dos selvagens ataques de ferocidade sanguinária, ocorridos durante a madrugada. Ninguém queria acreditar em tal acontecimento, mas os corpos das vítimas a confirmar essa sanha Terrorista,  estavam na Igreja da Nossa Senhora do Carmo.
No dia 05, realizaram-se os funerais das vítimas. A população europeia e africana acorreu em massa, milhares de pessoas formaram um cordão humano para assistirem ao cortejo fúnebre a partir da Igreja Nossa Senhora do Carmo, na baixa de Luanda, até ao cemitério de Sant’Ana, na estrada de Catete, para assistirem em luto e em lágrimas na despedida a esses homens que seriam as primeiras vítimas da vil causa estrangeira.



Do Livro "LONGE É A LUA" - Memórias de Luanda-Angola, de Rogéria Gillemans. Op. cit., P.98 a 102, ISBN 978-989-20-1341-1. Reservado o direito de autor, previsto e protegido pela Lei, como tal, a sua cópia total ou parcial não autorizada é um acto ilícito passível de acção, previsto na Lei!


Saída dos féretros da Igreja do Carmo. 

Chegada dos féretros ao cemitério de Sant’Ana 

Fotos da Revista LIFE,
 que, também, cobriu os acontecimentos do 04 de Fevereiro:

                                                  Capela do cemitério de Sant’Ana 

Milhares de portugueses limitaram-se a assistirem
 ao funeral do lado de fora do cemitério, pela enchente de portugueses 
que assistiram dentro do cemitério de Sant’Ana aos funerais das primeiras vítimas 
do terrorismo internacional em Angola. 



Em Luanda foi imposto o recolher obrigatório. Na caça aos terroristas os muceques Sambizanga, São Paulo, Rangel e  Marçal foram passados a pente fino. O Exército, a  Polícia e grupos de defesa/milícia civil, passaram a controlar os acessos à cidade onde foram levantadas barreiras como protecção, aos passantes era exigida identificação e a identificação do local de trabalho, e foram-lhes estabelecidos horários de entrada e saída nos postos de controlo junto das barreiras. 
Os Sipaios (polícias africanos, que desempenhavam funções nos postos administrativos, nas zonas rurais, e policiavam e controlavam os muceques), passaram a policiar os muceques com mais frequência. Pela acção do Exército, da Polícia, e dos grupos de Defesa Civil rapidamente a paz e a ordem foi restabelecida na capitalMas, ainda assim, em Angola ignorava-se o que os EUA preparavam dentro do Congo contra  Portugal.

Manuel Alves das Neves, o cónego Terrorista.


Manuel Alves das Neves para dar continuidade ao terrorismo esperava uma remessa de armas de fogo enviadas de Léopoldville, pelo fracasso dos ataques na capital, não foram enviadas, e fez Holden Roberto e os outros congoleses ignorarem os apelos do cónego.
Com as mortes dos terroristas, as detenções, e a fuga de alguns para o Congoprocedia-se à captura e prisão dos mandatários do terrorismo, entre esses, o cónego Manuel Alves das Neves.


Nenhum destes elementos na organização, e nos assaltos a 04 de Fevereiro de 1961 tinha ligações ao MPLA, (dirigido por Viriato da Cruz ) que encontrava-se confinado na Guiné-Conakry e encontrava-se em fase embrionária e sem implantação em Angola. 
No Congo Belga enquadravam a UPNA, Herbert Pereira Inglês e Manuel da Costa Kimpiololo, passando a UPA de Papá Pinnock, Manuel Barros Sidney Nekaka e Holden Roberto, João César Correia, asseguravam a ligação entre estes e o principal responsável em Luanda pela UPA, o cónego Manuel das Neves que, pelas suas constantes viagens de Léopoldville-Luanda-Léopoldville, tinha por alcunha o Vai-e-Vem.                    

Holden Roberto nasceu em São Salvador do Congo hoje (Mbanza-Congo) província do Zaire a 12 de Janeiro de 1923, era de origem bakongo, e foi auxiliar e aprendiz de feitiçeiro, desde a infância viveu sempre no Congo Belga, fez os estudos primários em Léopoldville, desconhecia as realidades do povo e do território angolano. 
A UPA era um agrupamento bakongo tribalista e racista, o território bakongo incluía São Salvador no norte de Angola e parte do Congo Belga. Os bakongos desde as suas origens remotas, foram sempre tribalistas e racistas e dedicavam-se às práticas de feitiçaria e de canibalismo. Nos passaportes emitidos pela Tunísia, Holden Roberto adoptava os nomes de Joe Gilmore ou Rui Ventura.
A partir de 1959 os EUA contratou-o, ao seu serviço, com uma avença de 900 dólares mensais. Entretanto, Holden Roberto, ao mesmo tempo, mantinha contactos com a China e a União Soviética. E, assim, as Nações Unidas preparava-se o cenário que devia dar consistência externa às actividades dos conspiradores. 
No ex-Congo Belga, o political officer da Embaixada americana em Kinshasa, Frank Carlucci, amamentava um Holden Roberto.  Mais tarde, em 1964, é o mesmo Frank Carlucci que, na Tanzânia, manipulará Eduardo Mondlane que desencadeará o terrorismo no norte de Moçambique.

No dia 15 de Março de 1961, a questão de Angola foi inscrita para debate na agenda do Conselho de Segurança por proposta da Libéria-Firestone. Votaram contra Portugal, a União Soviética, a República Árabe Unida, o Ceilão e os Estados Unidos da América. Nesse mesmo dia, bandos de terroristas armados pela Ford Foundation, oriundos do ex-Congo Belga invadiram Angola e espalham o terror nas áreas dos distritos dos Dembos, do Zaire e do Uíge, baixa Cassange, em Nambuangongo, onde instalaram o quartel general, no Quicabo e em Quitexe.                   
Era a gentalha da mirífica UPA (União dos Povos de Angola) encabeçada por Holden Roberto, mecânico de automóveis na Ford, pupilo da senhora Eleanor Roosevelt, protectora insigne da Associação (protestante) da Liberdade Religiosa, viúva do paralítico de Yalta – concunhado do Mobutu Sese Seko, antigo auxiliar do exército indígena belga, e considerado o homem de palha da CIA. 
Se a Libéria era governada pela Firestone, se o primeiro presidente do Togo foi servente da Unilever, porque é que o futuro presidente da República de Angola não poderia ser um antigo bate-chapas da Ford cuja Fundação pagava as despesas do Terrorismo? 
O caso é que Holden Roberto seguiu num avião americano especial para Belgrado, onde foi participar na conferência dos países não alinhados.



Do Livro "LONGE É A LUA" - Memórias de Luanda-Angola, de Rogéria Gillemans. Op. cit., P.98 a 102, ISBN 978-989-20-1341-1. Reservado o direito de autor, previsto e protegido pela Lei, como tal, a sua cópia total ou parcial não autorizada é um acto ilícito passível de acção, previsto na Lei!



MASSACRES DO 15 MARÇO 1961:
 O que aconteceu no Norte de Angola em Março de 1961 é "Terrorismo"
 não pode ser mascarado com eufemismos. E a palavra "Massacre" é a única apropriada!
                                  


 Estávamos na Páscoa. 
 A população de Luanda ainda fazia o luto pelas vítimas do Terrorismo a 04 de Fevereiro. 
 Na madrugada de 15 para 16 de Março uma onda de terrificantes ataques que nos fazem gelar, assolou o norte da província portuguesa, devastando populações inteiras, terror perpetrado por grupos de selvagens assassinos com a sigla UPA que vinham do Congo Belga de Léopoldville, Brazaville e Katanga (treinados por indivíduos especializados nas escolas de subversão de Pequim, Moscovo, Praga, ou Conakry) às ordens dos negros racistas e tribalistas e de Holden Roberto que se passeava em carros americanos de luxo, com chauffeur às ordens, pelas ruas de Leopoldville ou em outra qualquer cidade do Congo, (apelidando-se a si mesmo de salvador das gentes de Angola). Que em nome da paz e da liberdade contratava facínoras, assassinos, cujo objectivo era matar pessoas indefesas, homens, mulheres, crianças, recém-nascidos, adolescentes e crianças por nascer,… não interessava a condição nem a idade…a ordem era Matar e Destruir!!!… Matar!!!... Matar!!!... Mata o Branco!!!.... Mata o Branco!!!...Assassinando indiscriminadamente. Matar e destruir tudo que fosse branco... todas as aves que fossem brancas. Destruir todas as flores que fossem brancas!... 

 E o chão tremeu com a sarabanda dos gritos selvagens clamando a protecção dos espíritos. O sangue avermelhou os rios. E empapou a terra. As lágrimas e os gritos das mulheres violadas e despedaçadas ergueram-se desesperadamente para os céus. Os incêndios encarniçaram a madrugada. Nas vilas, nas povoações, e nas fazendas de café, na região dos Dembos, Uíge, Úcua, Maquela do Zombo, Luango, Madimba, Béu, Cuima, Sacandica, Quimbele, Damba, Bembe, Santa Cruz, Sanza Pombo, São Salvador, Mavoio, Quibocolo, Bessa Monteiro, Ambrizete, Ambriz, Zamba, Negage, Mucaba, 31 de Janeiro, Carmona, Nambuangongo, Pedra Verde, Quicabo, Zala, Quitexe, Quifangongo, Quibaxe, Caxito, Ambrizete, Ambriz, Porto Quipiri, Quimbanze, Mungage, Bumbe, Ambuíla, Dambe, Canda, Songo, Nova Caipemba, Zenguela, Bungo, Puri, Kindeje, Dange, Cangola, Piri, Alto Zaza, Aldeia Viçosa, Vista Alegre, Bula Atumba, Ambaça, Camabatela, Alto Cauale, Muxaluando, Quimbele, Zalala, Pango Aluquém. Foram assassinados à catanada e mutilados milhares de portugueses, 1.200 europeus e 3.800 africanos negros e mestiços. Mas o número de vítimas é maior: Muitos os corpos nunca foram encontrados. Muitos fugindo à horda assassina perderam-se nas matas e acabaram por serem mortos e comidos pelas hienas. Muitos outros... homens, mulheres e adolescentes foram feitos prisioneiros pelos assassinos e levados para Congo para serem exibidos como troféus aos mandates dos crimes, e após serem torturados foram mortos.  
Durante os massacres, os assassinos davam vivas a Lumumba e à UPA.  Regavam as vítimas em vida com gasolina e deitavam-lhes fogo. Pilhavam e incendiavam as casas, as fazendas, os aldeamentos dos trabalhadores Bailundos e derrubaram dezenas de árvores para impedir ou atrasar o avanço do exército português.  Entre os terroristas mortos os militares portugueses descobriram chineses com a cara e as mãos pintadas para se fazerem passar por negros.

 A prática de feitiçaria, o Kimbombo, liamba, e o canibalismo faz parte da cultura de Angola e integravam a sanha terrorista. O “Kimbombo”  é uma droga alucinogénia com alto teor alcoólico de fabrico caseiro, feito a partir da fermentação do suco extraído das palmeiras (ou de farelo de milho), com liamba à mistura. Os feiticeiros, instrumentalizados pelos mandatários no Congo, fabricavam o “Kimbombo” e forneciam-no aos assassinos para que drogados actuassem nos crimes com maior selvageria.
Os primeiros militares portugueses, do 1º Esquadrão de Reconhecimento dos Dragões de Luanda, a irem para as zonas dos terrificantes massacres encontraram frascos com Kimbombo em posse dos terroristas capturados ou mortos, e nos covis onde os terroristas se reuniam com os feiticeiros destruíram vários barris com essa bebida, alguns com o preparado ainda em fermentação. O “kimbombo” estava rigorosamente proibido pelas autoridades portuguesas.
Durante os rituais dessa magia negra, os feiticeiros ordenavam aos Terroristas para comerem os órgãos dos brancos e banharem-se com o seu sangue, incutindo-lhes que os tornavam imortais e ficavam com mais força (os militares portugueses encontraram corpos humanos cortados em pedaços e cobertos com sal dentro de barris, para serem comidos pelos ferozes assassinos), e incutiam que as balas dos portugueses "eram água" não matavam, e no caso de serem feridos para se esconderem no capim porque aí não morriam, e diziam-lhes que Lumumba tinha ressuscitado e que tinha dado ordens de matar. 


 Manhãs de 15 e 16 de Março de 1961, no Norte de Angola. 
 Manhãs quentes e tórridas talhadas a golpes de catana na carne de inocentes, em terras que há quase cinco séculos eram terras cristãs de Portugal. 
 Manhãs de feras assassinas à solta, assoladas de longe por outras feras maiores e ainda mais cruéis e mais traiçoeiras e mais cobardes! 
 Manhãs dos selvagens assassinos, ao serviço duma política do ódio e de mentiras, que a partir de outros países, preparavam metodicamente as formas de levarem à prática os seus horrendos crimes. 
 Manhãs hediondas e trágicas do crime teledirigido pelos que falavam de paz e fomentam a guerra: 
 Manhãs ensanguentadas e malditas pelo massacre das crianças que são o sorriso de Deus neste mundo, das mães que prolongam a vida, dilaceradas das próprias entranhas, dos homens de mãos calejadas que tiravam da terra o pão de cada dia... 
 Manhãs do crime que degolou meninos por nascer, depois de rasgarem o ventre materno em que se ocultavam. 
Manhãs do Terror no genocídio de carnes vivas retalhadas a golpes de catana, crianças inocentes abertas ao meio de um só golpe ou com os olhitos vazados e deixadas para continuarem a viver o seu drama nas trevas. 
Manhãs do crime que foi apadrinhado por nove dos onze membros do chamado Conselho de Segurança. Nove!...Número da Cabala e do Apocalipse. Nove: noves fora, nada! Nada de honestidade, nada de verdade, nada de justiça, nada de humanidade, nada de civilização, nada de sensibilidade, nada de paz, nada de fraternidade, nada de bom senso... 


Eis o libelo dos crimes impulsionados de fora:
 Em Nova Caipemba, era ainda cedo. Apesar de a gente do mato ser madrugadora, a maior parte dos brancos ainda se não levantara da cama. Homens, mulheres e crianças dormiam tranquilamente, sem armas e sem medo, dentro dos hábitos de uma secular convivência euro-africana, nas suas casitas de um só piso, construídas sabe Deus com que sacrifícios... 
As portas, apenas encostadas no trinco, as janelas que davam para a rua a menos de um metro do chão abertas de par em par, para os vizinhos, amigos e o céu estrelado. Na luz suave do alvorecer, ágeis e silenciosos como felinos, os assassinos entraram nos quartos onde homens, mulheres e crianças dormiam ainda... Foi tão simultâneo e traiçoeiro o assalto que muito poucos tiveram tempo de soltar um grito. O sono de numerosos brancos, pretos e mestiços de Nova Caipemba terminava num gorgolejo de sangue sob o gume afiado, como lâminas, das catanas ... 
 Naquela fazenda das proximidades do Quitexe, o patrão tinha-se levantado antes do nascer do sol, para arrumar umas contas da pequena loja em que abastecia o pessoal da sua fazenda e das vizinhas. Pouco depois, a mulher e um filho de catorze anos levantaram-se também. 
As duas filhas, uma de dez e outra de doze anos, continuavam a dormir, serenas e graciosas, no seu quartito que era o melhor e o mais enfeitado da casa. Por volta das 6.30h, o homem abriu a porta da loja e ficou atrás do balcão, à espera dos habituais fregueses do copo matinal de vinho ou do cálice da aguardente. 
Minutos decorridos, chegaram cinco pretos grandes, no jeito de quem vai para o trabalho. – Patrão, um copo de vinho! — pediu um do grupo. – Um copo grande...
 O branco escolheu na prateleira um dos copos maiores, enxaguou-o na água da celha e curvou-se para o barril do vinho. E neste acto de se curvar, ofereceu aos terroristas a posição que eles previam e esperavam. O golpe foi tão fundo e certeiro no pescoço, que o breve e lancinante grito da vítima esbarrou contra a lâmina fria da catana... Para além da porta de comunicação com a parte familiar da casa, a mulher, apavorada por aquele grito, tinha tirado da mesa de cabeceira um velho revólver do marido e empunhava-o com mão trémula, prestes a desmaiar.
 – Dê-me o revólver, mãe! — disse o filho de catorze anos. – E por amor de Deus, não se deixe ir abaixo! Tenha coragem e vá acordar as minhas irmãs! Contagiada pela decisão do filho, a pobre mulher obedeceu instintivamente. 
O filho dobrou a culatra do revólver e verificou que tinha as seis balas no tambor. Então, sem ruído, abriu a porta, e com uma serenidade terrível, abateu com cinco tiros seguidos os cinco assassinos que, antes de prosseguir na chacina, não tinham resistido à tentação duma garrafa de aguardente ... 
– Venha, mãe — chamou o filho para dentro, com os olhos rasos de água postos no cadáver do pai. – Não gritem! — acrescentou, quando a mãe e as irmãs acudiram e levaram as mãos à boca, horrorizadas. 
– Não gritem, que pode ser perigoso! Ajudem-me a transportar o pai para a carrinha!.. Mudamente, a viúva e os órfãos transportaram o corpo para o carro e cobriram-no com um lençol. Depois, aquele rapazinho de catorze anos, a quem o pai deixava às vezes guiar a carrinha, sentou-se virilmente ao volante e meio cego pelas lágrimas que teimavam em inundarem-lhe os olhos, correu a avisar um tio que vivia noutra fazenda, a dezoito quilómetros de distância... 
Só no dia 16 é que a gente de Madimba soube que a vaga sangrenta começara a rolar e vinha já perto. Reuniram-se os homens e correram a S. Salvador a pedir auxílio e armas. Levaram para fora da povoação as mulheres e as crianças e esconderam-nas entre o capim alto, contando que o desígnio dos assassinos não os levasse a passarem por ali. 
 Perto de Maquela do Zombo numa empresa de serração de madeiras vinte e sete europeus, foram amarrados a estacas de madeira, de braços e pernas aberta e serrados vivos com serras mecânicas, bebés retalhados nos seus berços, crianças degoladas à frente dos pais, crianças de tenra idade e bebés suspensos pelas pernas eram atiradas contra paredes até ao seu completo esmagamento, mulheres grávidas esventradas e crianças por nascer arrancadas a golpes de catanas eram jogados como bola, faziam o mesmo com as cabeças decepadas dos europeus e dos Bailundos. 
 Mulheres e adolescentes violadas à frente dos seus maridos e dos seus pais (que sob as lâminas das catanas foram obrigados a presenciar os horrendos crimes) para depois serem esquartejadas. Mulheres com os seios cortados e sem olhos, ventres maternos rasgados.

 Que dizer daquela criança de cinco anos, a pequenina, Eugénia Leonor Soares da Ressurreição, que viu assassinarem toda a sua família pais, irmãos e prima à catanada e que foi tão desumanamente mutilada, encontrada com vida e levada para o hospital em Luanda, onde ficou internada. 
 Que dizer daquele menino de sete anos degolado pelas catanas e que dizer de todos os meninos nascidos ou por nascer barbaramente assassinados!... 
 Que dizer daquele pai espancado até à sua loucura, com as pernas do seu filho decepadas pelas catanas!... 
Que dizer de brancos e mestiços pregados a tábuas para serem esquartejados à catanada, ou crucificados e a seguir degolados!... 
Que dizer de milhares de seres humanos inocentes e pacíficos trabalhadores. Vítimas do ódio, do racismo, do tribalismo. 
Na fazenda de José Poço, perto do Quitexe, um dos proprietários é esquartejado aos bocados com requintes de ferocidade. Valeu que um seu filho, criança de onze anos, com a pistola do pai, fez frente aos assassinos para defender a mãe, cobardes que só se atreviam a atacar gentes indefesas e à traição que perante uma criança de onze anos com uma arma nas mãos recuaram e fugiram. 
Em Cassoneca, António Diogo Ferreira, o Soba de uma povoação recusou de deixar de trabalhar para os brancos, usou da palavra para manifestar o seu repúdio às mentirosas campanhas internacionais e a sua determinação de continuar português até à morte, os terroristas assassinaram toda a sua família, a ele em vida com catanas abriram um golpe no peito arrancaram-lhe o coração, a seguir foi esventrado ficando com os intestinos expostos. 
Na vila de 31 de Janeiro, o cabo de Sipaios, Sebastião Domingos Baxe, lutou sozinho até à morte contra mais de meia centena de terroristas, dias depois na reocupação foi encontrado, assassinado à catanada, abraçado à bandeira portuguesa.
Nas zonas flageladas pelo terrorismo, grupos de portugueses aguentaram-se heroicamente durante semanas, enquanto os militares de Luanda não chegavam para os libertar.


 Do Livro "LONGE É A LUA" - Memórias de Luanda-Angola, de Rogéria Gillemans. Op. cit., P.98 a 102, ISBN 978-989-20-1341-1. Reservado o direito de autor, previsto e protegido pela Lei, como tal, a sua cópia total ou parcial não autorizada é um acto ilícito passível de acção, previsto na Lei!


                                             Ícolo e Bengo - Cassoneca,
a casa do Soba, António Diogo Ferreira, que recusou de deixar de trabalhar para os brancos,
 usou da palavra para manifestar o seu repúdio às mentirosas campanhas internacionais e, a sua determinação de continuar português até à morte, e foi assassinado como toda a sua família. 


                                                    Ícolo e Bengo - Cassoneca,
                       residência e casa comercial pilhada e incendiada pelos Terroristas.


                                                       A povoação de Quitexe.

 Quitexe,
    a casa do cantoneiro transformada em reduto de defesa 
e em casa de transmissões.

Vila de Carmona.
Tabi.
 Fazenda Glória de Fonseca & Filhos
               a residência principal foi transformada em fortim.

            
Zala, 
o posto de enfermagem pilhado e incendiado pelos Terroristas.

Zala, 
casa pilhada e incendiada pelos Terroristas.

Zala, 
casa pilhada e incendiada pelos Terroristas.
                                                                    Lifune.
                Fazenda "La Luinha" reduto construído para protecção dos trabalhadores.
                    
                         Gupo de Defesa  Civil constituído pela população da zona atacada.
                        
                                                                 Damba,
                                        Defesa Civil constituído pela população.
                       O edifício do Aeródromo da vila foi usado como forte para defesa.

                                                            Pango-Aluquém.
                                       Defesa civil constituído pelos fazendeiros.


                         A população nativa fugindo das zonas atacadas pelos Terroristas.
                        
           
  A população  das zonas efectadas pelo Terrorismo removendo
 as árvores derrubadas pelos terroristas para  obstruírem a passagem do Exército.



Em 1943, para não recuar mais no tempo, o norte de Angola era improdutivo e bravio, uma selva abrupta de matas e extensos capinzais. A presença honesta e corajosa do homem, ofertando a estômagos vazios, o comércio, a indústria, o arroz, a ginguba, a mandioca, o feijão, o café, o algodão e outros produtos da terra, começou por trabalhar as terras deixando as matas aparadas nas serras e nos vales, nas encostas e nos morros, estendendo-se a perder de vista, por muitos milhares de hectares, onde existia capim e a selva deu lugar a milhões de pés de café, fizeram estradas e picadas boas ou más, ligando as vilas e povoações, pontes e jangadas a unirem as margens de rios ou esbeiçamentos de terras, a braço de homem nasciam as produtivas e bonitas fazendas, vilas e povoações no norte de Angola. Em 1961, o café era o principal pilar económico de Angola e a província era dos maiores produtores mundiais de café.

 A seguir à segunda guerra mundial, o café passou a ser um produto de grande consumo diário na América, os americanos voltaram-se para a sua importação a baixos preços, voltando-se para os territórios onde existia a produção agrícola do café. 
As bonitas e pacíficas vilas, as produtivas fazendas de café  e aldeamentos do norte de Angola que até então representavam o trabalho, o progresso, a economia, a convivência e a paz, foram transformadas em campos de morte e de drama, no cenário mais dramático, terrificante e inadmissível ao ser humano, por ferozes e hediondos assassinos drogados, que assassinaram traiçoeiramente gente indefesa, enquanto dormiam ou, se preparavam para começarem pacificamente o seu dia de trabalho. Os americanos desconhecendo a história e a realidade de Angola, esperavam que pelo Terror e Massacres os portugueses fugissem de Angola.



Do Livro "LONGE É A LUA" - Memórias de Luanda-Angola, de Rogéria Gillemans. Op. cit., P.98 a 102, ISBN 978-989-20-1341-1. Reservado o direito de autor, previsto e protegido pela Lei, como tal, a sua cópia total ou parcial não autorizada é um acto ilícito passível de acção, previsto na Lei!




A maior barbárie perpetrada por Inumanos - Monstros, contra pessoas indefesas, um crime contra a humanidade, instigado por interesses estrangeiros alheios a Portugal,  levado à prática no século xx, em tempo de paz, a soldo de alguns dólares, ou qualquer outra moeda estranha e de boa cotação no mercado mundial, para aqueles, que se serviram de Assassinos que davam largas aos seus ancestrais sentimentos sanguinários, racistas, de crimes e de ferocidade.


 Angola entrou em convulsão: 
A população de Luanda, das cidades e vilas do interior de Angola foi mobilizada, aumentaram-se os efectivos do exército e das milícias civis, recrutaram-se todos os rapazes em idade militar que viviam em Angola, reforçou-se a polícia, fez-se tudo o que era possível para enfrentar a horda de assassinos. No início de 1961, os efectivos militares contavam com 5000 militares africanos e 1500 metropolitanos, eram escassos face aos terrificantes e vastos massacres. Angola necessitava urgentemente de reforços. 
Entretanto, tinham começado a chegar a Luanda os feridos e os refugiados das fazendas, das vilas e das povoações, brancos, negros e mestiços, crianças e adultos perdidos ou escondidos nas matas, e as imagens dos horrores perpetrados pelos terroristas, notícias do desespero e dos dramas que estavam a ser vividos no norte de Angola. Chegavam, igualmente, as informações de actos de coragem, de patriotismo e de heroicidade, da parte de muitos portugueses, independente da raça. 

A 16 de Março de 1961, chegou a Angola o primeiro contingente de pára-quedistas, e no dia 21 foram evacuadas para Luanda mais de 3.500 pessoas que viviam no norte de Angola. Muitas mulheres recusaram ir para Luanda, quiseram ficar a combaterem ao lado dos seus maridos defendendo os seus bens, defendendo o território português, combateram com armas nas mãos os assassinos, como autênticas heroínas portuguesas, como a heróica combatente miliciana de Carmona, Margarida Marques Teixeira.
Em Luanda, uma manifestação espontânea de milhares de portugueses brancos, negros e mestiços, representando Angola inteira foram ao Palácio do Governo, para dizerem ao governador da Província que podiam contar com as suas vidas para a defesa intransigente da Pátria.  O largo fronteiro ao Palácio foi cenário de uma grandiosa e espontânea manifestação de repulsa contra as blasfémias proferidas nas Nações Unidas, exibiam a bandeira portuguesa e cartazes onde se lia: - Aqui Só Há Portugueses-, - Somos Negros,  Mas Somos Portugueses -.

A 22 de Março, milhares de portugueses fazem uma manifestação de repúdio, contra as políticas e ingerência americana, junto do consulado dos EUA na Avenida Paulo Dias de Novais, e contra as mentiras forjadas, orientadas e apoiadas pela ONU, amesquinhando a verdade. 
Os portugueses revoltados e em fúria atiraram o carro do consul para as águas da baía, invadiram o edifício e hastearam a bandeira portuguesa numa das varandas de onde retiraram os símbolos americanos que passavam a representar um dos inimigos de Portugal.


Do Livro "LONGE É A LUA" - Memórias de Luanda-Angola, de Rogéria Gillemans. Op. cit., P.98 a 102, ISBN 978-989-20-1341-1. Reservado o direito de autor, previsto e protegido pela Lei, como tal, a sua cópia total ou parcial não autorizada é um acto ilícito passível de acção, previsto na Lei!


Jornal "a Provincia de Angola -1961 Março 30, Quarta-Feira"
e "Diário da Manhã":
 "Três expressivas imagens de comparsas dos sinistros acontecimentos do norte, que documentam os instintos primitivos daqueles que de humano têm apenas a identidade morfológica, e aos quais os srs. Stevenson, Mennen Williams e outros, persistem em chamar o «povo de Angola»."

Maneca Paca
 Aspecto sinistro, dentes carníveros - cerrados em bico - uso entre os canibais, e uma barbicha musgosa na ponta do queixo-típica dos feiticeiros- aos quais a vida humana não tinha qualquer significado ou valor. 
Maneca Paca era Bakongo “Kinzare Nambuangongo” uma expressão usada por ele, "Kinzare" Feitiçeiro. Pela prática de canibalismo e feitiçaria era uma legenda no norte de Angola, e era o terror dos pacatos aldeamentos indígenas, do qual tinham pavor só de ouvirem o seu nome. 
Pelos relatos dos crimes praticados nos aldeamentos indígenas por onde passava, ele era já do conhecimento dos administradores das povoações do distrito, e do conhecimento dos militares portugueses, nunca o conseguiram capturar, por se embrenhar nas matas onde se escondia nos covis que escavava no subsolo. Desde sempre as autoridades portuguesas fizeram caça a tribos ou seitas antropófagas, que existiam nos recantos secretos a norte do território. Ainda que fosse ocorrência esporádica praticavam homicídio motivado por rituais de canibalismo ou por magia negra envolvendo envenenamento. 
Nos anos 50 deslocava-se com frequência ao Congo Belga ao serviço de Holden Roberto  (segundo uns, Maneca Paca era o feiticeiro mestre de Holden Roberto). 
Durante o ano 1959 participou nos ataques terroristas contra os Belgas. Holden Roberto designou-o quadro da UPA e chefe de um grupo de Terroristas, a seguir regressa aos Dembos, fixa-se em Mucondo região do  Úige: percorrendo Aldeia-Viçosa,Vista-Alegre, Quibaxe, Quicabo, Úcua, e Caxito, onde instruía e preparava os negros para o terrorismo nos massacres.
Este Satânico Monstro é abatido na zona do Caxito, a cabeça foi-lhe decepada e espetada numa estaca para exemplo aos terroristas do seu grupo e outros. 

As colunas militares avançavam, quando o Batalhão 96 chegou à vila de Mucondo, onde grupos de terroristas da UPA se refugiaram, mas fugiram quando um avião da Força Aérea apareceu, os militares do Batalhão 96 no povoado de Cólua descobriram sinais de canibalismo. Este terrificante e infame quadro foi trabalho do Terrorista Maneca Paca, entre outros chefes terroristas, que tiveram participação na mutilação de quatro soldados de uma secção de cinco soldados que investigavam a situação no pequeno povoado de Cólua em 2 de Abril.  Um soldado conseguiu fugir mas depois foi capturado e morto. 


Declarações de extrema violência, de  horror e trauma: 
No Posto Administrativo de Aldeia Viçosa, o bailundo, Severino José, declarou que fora obrigado a acompanhar os terroristas desde o dia 15 de Março de 1961.
 E continua:  "(...) do massacre de Cólua nada sabe além de cozinhamento dos quatro militares a quem cortaram os dedos e os testículos para pendurando-os nuns paus para secarem e depois comerem (...)" 
 "(...) O Bomboco e, sobretudo, o Simão Lucas organizaram autênticos espectáculos de canibalismo,começando com os quatro soldados brancos agarrados no Cólua, obrigando os bailundos a cozinhá-los e a participar do festim nas festividades ... 
O pessoal de Quiguenga conseguiu agarrar um sargento que fugira do Cólua e cozinhou-o. O soldado morto há poucos meses atrás foi levado para o Cólua e igualmente cozinhado, tendo o declarante participado no festim, tal e qual como os outros bailundos, aqueles que se negavam eram mortos e igualmente comidos, tendo o declarante assistido à morte de pelo menos vinte e cinco bailundos e que teve igualmente de participar. 
Desde a primeira hora todos os que morreram, quer brancos, quer bailundos, quer naturais da terra, foram comidos e jamais se procedeu ao seu enterramento, pelo menos no que diz respeito ao Cauanga-Cólua-Quinguenga, embora saiba, por ouvir dizer, que nas outras partes (povoações) se faz a mesma coisa.» 

As vítimas portuguesas que foram enterradas nos locais onde eram assassinadas, frequentemente grupos terroristas que entraram em cena vários dias depois desenterravam-nas e comeram partes do corpo.

  Vale do Loge-Cólua.
                      


O EXÉRCITO EM ANGOLA:


DA BAIXA DO CASSANGE A NAMBUANGONGO:
Os primeiros Grandes e Heróicos homens a irem para o norte em defesa
 de Portugal e do seu povo:
  
                                                        
                                                             Bengo-Alto-Lifune.

 Ambriz.

O pó levantado nas picadas à passagem da coluna militar, e o cheiro dos cadáveres em decomposição obrigaria os rapazes do Esquadrão de Reconhecimento de Luanda (DRAGÕES)  ao uso do lenço, levado ao pescoço, como máscara, ao chegarem às zonas dos massacres depararam-se com uma visão dantesca, imagens nunca vistas, inimagináveis, e de trauma: Homens, mulheres, adolescentes, crianças e bebés esquartejados com requintes de selvageria praticado por "Inumanos Monstros". 


E fizeram honra ao seu mote e divisa:
                  E não pouparam esforços pela defesa da Pátria e do povo de Portugal. 
E a razia aos terroristas é posta em acção, centenas de terroristas são abatidos. E por cada terrorista abatido era pintado a branco caveiras e tíbias na frente e lados dos jipes do Esquadrão de Reconhecimento de Luanda (DRAGÕES), por onde passavam eram o temor dos Terroristas.

  

  

Quimbele. 

  
      Árvores derrubadas pelos terroristas 
para  obstruírem e retardarem a passagem do Exército.   

    
                                                                                Pedra Verde
                              
                                                                             Pedra Verde.
   
                                                                 Pedra Verde.
   

   
Batalha no Zala.
  
                                                            Zona da Beira Baixa
  
   Coluna da reocupação da Beira-Baixa-Nambuangongo.

  
                                                      Reconquista  da Beira-Baixa,
                              1º Esquadrão de Reconhecimento dos Dragões de Luanda.
                         Esq: António Manuel Rodrigues, 1º Cabo Rádio-Telegrafista
 do 1º Esquadrão de Reconhecimento dos Dragões de Luanda, criado no ano 1959,
sob o comando de José Maria de Mendonça Júnior, fundador e 1º Comandante dos Dragões,
 na época Capitão da Arma de Cavalaria

  
                                  Santa Eulália, destruição dos covis dos Terroristas 
                            Esq: António Manuel Rodrigues, 1º Cabo Rádio-Telegrafista
 do 1º Esquadrão de Reconhecimento (DRAGÕES) de Luanda.
                                
  
    Beira-Baixa-Nambuangongo.

  
Nambuangongo "Operação Viriato"
 destruição dos covis dos Terroristas.

  
Militares do 1º Esquadrão de Reconhecimento (DRAGÕES) de Luanda
 capturam um Terrorista com a catana com que assassinava 
e esquartejava seres humanos.
  
Militar do 1º Esquadrão de Reconhecimento dos Dragões,
com um Terrorista capturado.

Três exemplares representantes dos tais independentistas 
de um povo imaginário em Angola.

    
Nambuangongo "Operação Viriato"
destruição dos covis dos Terroristas.
                              
     
Igreja de Nambuangongo
     saqueada e destruída por fogo posto pelos Terroristas. 
      
       
                                   A colocação  da bandeira na Igreja de Nambuangongo.
        
                                             Sentido, e continência  à bandeira de Portugal,
             e de entre estes Grandes Heróis houveram lágrimas de emoção. 
            
            
        No contentamento do soldado o sino da Igreja 
                                                         repicou pela mão da civilização.
            
             
   Vila de Nambuangongo. 


E HERÓIS HOUVERAM:
Homens que dignificaram e honraram Portugal
 e a farda que envergaram durante dois anos ao serviço da Pátria!
     
António Manuel Rodrigues
 1º Cabo Rádio-Telegrafista do 1º Esquadrão de Reconhecimento (DRAGÕES) de Luanda. 
Participou na luta contra o terrorismo do 4 de Fevereiro 1961, em Luanda, a 15/16 de Março a Companhia onde incorporava foi das primeiras a ir para as fazendas, povoações e vilas do norte de Angola. Partiu de Luanda para uma missão de 15 dias, com apenas uma farda, um par de botas, e comida para apenas 15 dias. Não imaginavam a dimensão do terror e do horror que iriam encontrar, e a missão prevista para 15 dias transformou-se em longos meses de inferno.


Participou na recuperação de: Quipedro, Quibaxe, Quicabo, Porto-Quipiri, Quitexe, Fazenda Maria Fernanda,Tentativa, Ambriz, Bela-Vista, Beira-Baixa, Quimbele, Quilombo, Quifangongo, Quibala, Cavunga, Zala, Zalala, Quimbumbe, Catende, Funda, Úcua, Quibaba "Operação Pedra-Verde", Nambuangongo "Operação Viriato". E em muitas outras zonas, fazendas, povoações e vilas.
Seguindo em direcção a Nambuangongo em "Piri-Dembos" um acto de heroicidade, destreza e abnegação pela sua própria vida levaria-o a distinção militar!

 
¡A GRANADA!
"Naquela noite de Agosto, aquele punhado de homens, isolado nos confins dos Dembos, não conseguia descansar. O cacimbo acumulava-se sobre os panos de tenda, originando poças de água que, a pouco e pouco, impregnavam o tecido e iam, gota a gota, caindo sobre os rostos crispados dos soldados.
Corpos suados e doridos, capacetes de aço na cabeça, correias de cabedal segurando as granadas, armas cruzadas sobre o peito, os homens, deitados de costas, tentavam a todo o custo repousar naqueles curtos instantes. Era necessário recuperar as forças exaustas por tantos dias de marchas intermináveis, os nervos abalados pelas emboscadas, os olhos cegos pelo pó das picadas, as mãos ensanguentadas dos milhares de troncos de árvores removidos.
As sentinelas, dobradas, vigiavam intensamente os locais onde tinham sido colocadas as armadilhas improvisadas. Os olhos cansados semicerravam-se num esforço titânico de luta contra o sono, a fadiga, a ansiedade, procurando varar a escuridão.
Aquele punhado de homens, isolado no meio das montanhas, rodeado de matas misteriosas, tinha consciência da importância e perigo da sua missão. Todos eles, desde o mais simples soldado ao jovem comandante da força.
* p.103

Sabiam que só com eles tinham de contar, pois, por muitos quilómetros fora, nada havia para além das matas onde se escondia o traiçoeiro inimigo.
As vidas que outrora ali tinham palpitado, há semanas haviam deixado de trabalhar aquela terra, de a cultivar, de a regar com o seu suor. Após a grande matança de Março, depois de o sangue daqueles inocentes ter empapado aquela fértil terra angolana, só ficara o vazio: casas destruídas, fazendas pilhadas, café abandonado...
Durante cerca de quatro meses a onda de barbárie assolava a região. Agora chegava a contramaré: as vagas da civilização lançavam-se ao assalto e eles aí vinham na crista da frente.
Após o Quanza Sul era a vez dos Dembos. E bem na frente marchava a juventude. Ela era o fiel baluarte das glórias do passado, o legítimo representante da raça portuguesa naquelas terras africanas. Era a força, o ânimo, a coragem, o espírito de sacrifício que estavam presentes naqueles jovens de vinte e poucos anos. A geração dos anos sessenta iria mostrar ao mundo inteiro e ao seu próprio país que a juventude não é só irreverente e insensata.

Cada um daqueles homens sabia o que valia naquele momento. Sentia na sua própria carne o peso das responsabilidades. Eram milhares de vidas que dependiam da sua acção. Mais do que isso, talvez era o próprio futuro de uma Nação que estava em jogo.
Há muito que tinham deixado de se preocupar consigo próprios. Havia ali quem não pudera enterrar os corpos retalhados de seus pais e irmãos, quem vira arder o esforço de longos anos do seu próprio trabalho em continuação de várias gerações.
Nada possuíam de momento. Apenas uma farda. Um uniforme roto, gasto na dura vida de campanha, umas botas esburacadas por longos quilómetros percorridos e uma velha espingarda de repetição.
* p.104

Naquela hora, até as munições escasseavam. Eles sabiam-no.
Não se preocupavam por lhes faltar a estafada lata do atum, nem a enjoativa bolacha. Com as preocupações e o esgotamento, a fome já não incomodava.
Aliás, ainda ontem tinham apanhado uns peixes no rio. Assados com jindungo, bem bom! Mesmo sem sal nem pão. Houvesse granadas que peixe não faltava. O pior era quando aquelas tinham que ser racionadas e as balas contadas. Mais que na Pátria que defendiam, mais que na família em que viviam, era nas munições para as suas armas que eles agora pensavam. Essa juventude amadurecera bruscamente. As circunstâncias tinham-lhes pedido muito, e eles não se fizeram rogados.

O Alexandre integrara-se bem no seu papel de guia. Jurara que havia de conduzir os seus camaradas a bom termo e não descansaria enquanto não o conseguisse. Mesmo que caísse para o lado quando atingisse o objectivo. Mesmo que mais tarde não cumprissem as promessas de recompensa, não lhe dessem medalhas nem louros. Ele, porêm, é que não deixaria de cumprir a sua missão, custasse o que custasse. O Pereira e o Baptista também em nada pareciam diminuídos por terem arcado com responsabilidades de comando para as quais não tinham sido preparados. O Brito não havia precisado que alguém lhe recomendasse que desempenhasse funções para além das suas. O Agostinho, mesmo depois de ferido, também não permitira que ocupassem o seu ingrato lugar, exposto francamente aos tiros das emboscadas.

Enfim, eram todos eles que se tinham agigantado!
Mas nessa noite coube a vez ao Rodrigues de dar extraordinária prova de sangue-frio e consciência do dever.
A pequena unidade isolada estava sendo seguida por diversos grupos inimigos, qual alcateia de lobos cheirando a presa, prontos para o ataque decisivo logo que chegasse a altura propícia.
* p.105

Ao meio da noite o morteiro teve de fazer ouvir a sua voz autoritária. Era o morteiro 81. O seu irmão mais pequeno, o famoso 60, havia de celebrizar-se nas mãos dos hábeis apontadores, através dos trilhos infindáveis das matas angolanas e das bolanhas guineenses, ajudando a resolver problemas graves accionado apenas pelo seu tubo, entalado entre as pernas tensas dos soldados que com as mãos nervosas lhe enfiavam as granadas num ritmo diabólico.
Nessa noite angolana de forte cacimbo, a potente granada de morteito 81 caiu perto da boca da arma, mesmo junto da tenda onde o comandante da força e os seus fiéis guardiões tentavam dormir, buscando em vão o sono reparador das canseiras, o ópio das preocupações.
A granada caiu com um som cavo e sinistro sobre o pano de tenda ensopado pelo cacimbo.

Momentos dolorosos e longos em que a vida daquele punhado de homens ficou suspensa...
Após um breve instante de hesitação, o cabo Rodrigues, o apontador do morteiro, o responsável pela secção, lança-se sofregamente sobre a granada.
Tudo deixara de existir para aquele jovem. Já não era o moço gaiato que passeava em Luanda, de camisa aberta no peito, o cabelo ondulado numa poupa enfática, o olhar sorrindo para as lindas cabritas que iam passando junto ao "Quintas".
Nem tão-pouco era o cabo aprumado, de sapatos engraxados e bivaque de bicos que, orgulhosa e arrogantemente, se passeava nas tardes de folga domingueiras... Não, nessa altura cruciante, nesse momento em que tudo se jogava, a sua vida e a dos seus camaradas, a sua missão e a daquela unidade, o seu futuro e o do Exército que representava, só uma coisa contava: a granada!
Respiração arquejante mas pulso firme, gestos rápidos mas precisos, ei-lo que toma a granada nos braços.
* p.106

Uma mãe ao agarrar o filho de encontro ao peito, não o faria com mais cuidado que aquele homem ao segurar nas suas mãos exangues a granada que no seu bojo de morte encerrava o destino daquele punhado de militares, isolados no meio das matas dos Dembos, naquela noite de Agosto do inesquecível ano de 1961.
Um balanço de braços, um olhar em redor, e aí vai ela. Um salto para o chão e... Com aquele barulho ensurdecedor misturados com o explosivo que rebentava, as angústias daqueles momentos difíceis, somados a tantos outros vividos naquela longa e árdua operação que há dias massacrava os nervos dos soldados, esvaíam-se bruscamente.
Na escuridão da noite apenas pairava o fumo que lentamente ia desaparecendo, no mesmo ritmo, os nervos tensos dos soldados iam-se afrouxando.
E os olhos do Rodrigues sorriam. O dever fora mais uma vez cumprido. Mesmo que as recompensas prometidas falhassem, que interessava? A consciência do soldado permanecia tranquila. "
* p.107


(Do Livro "AQUELAS LONGAS HORAS". Op. cit., p. 103, a 107 - Lisboa, 1970, de Manuel Barão da Cunha - Coronel de Cavalaria (Dragões).


José Maria de Mendonça Júnior, Coronel de Cavalaria do Exército Português,
 fundador  do 1º Esquadrão de Reconhecimento dos Dragões de Luanda, criado no ano 1959,  e 1º Comandante dos Dragões, na época Capitão da Arma de Cavalaria. 
Condecorações: Serviços Distintos e Relevantes Com Palma, De Mérito, 
Avis, Cruz Vermelha, De Campanhas.

           No Terreiro do Paço, Lisboa, no 10 de Junho 1963, Dia de Camões  Dia da Raça” 
        o Alferes Fernando Augusto Colaço Leal Robles, da  Companhia de Caçadores Especiaisé condecorado pelo Presidente da República, Almirante - Américo Tomás, com a Medalha de Prata do Valor Militar, com Palma.


Não obstante a resistência inesperada e tenaz dos elementos populacionais alvos do terrorismo teleguiado, uma palavra clara, inequívoca da Metrópole, sobre o futuro de Angola era ansiosamente esperada por todos.
É então que Salazar ocupa a pasta da Defesa Nacional e pronuncia o discurso memorável de 13 de Abril 1961 - cerca dum mês volvido sobre o 15 de Março, efeméride tristíssima jamais esquecida pelos portugueses de lei.
Pareceu que a concentração de poderes da Presidência do Conselho e da Defesa Nacional bem como a alteração de alguns altos postos noutros sectores das Forças Armadas facilitaria e abreviaria as providências necessárias para a defesa eficaz da Província. 

Sua Excelência o Chefe da Nação, Prof. Dr. António de Oliveira Salazar,
 numa verdadeira proclamação épica, anunciou à Nação:
 “Se é necessário fornecer uma explicação para o facto de eu haver assumido a direcção da pasta da Defesa Nacional antes mesmo da remodelação ministerial que vai seguir-se pode semelhante explicação resumir-se a uma palavra e essa palavra é Angola. Agir rapidamente e em força, tal o objectivo que porá à prova o nosso espírito de reacção. Um dia só que seja em que possam poupar-se sacrifícios e vidas, e há que não desperdiçar uma hora sequer desse dia, a fim de que Portugal consiga mobilizar todos os esforços que lhe são exigidos para defender Angola  e  com Angola, a integridade da nação”.

“Para Angola, rapidamente e em força!”




Em fins de Março começaram a chegar contingentes militares a Luanda.
A cidade de Luanda, ou melhor, toda a Província de Angola, preparou-se para receber os homens que chegavam do Minho, de Trás-os-Montes, das Beiras, da Estremadura, do Alentejo e do Algarve em defesa das terras de Portugal de Além-Mar.

Estava previsto o desfile do 1º contingente militar desembarcado em Luanda,
 pela Av. Paulo Dias de Novais, a população civil na euforia de se sentirem protegidos dos terroristas, avançou pela Marginal envolvendo os soldados com uma alegria enorme...

E seguiram-se centenas de desembarques, para garante da paz restabelecida.
Na Avenida Paulo Dias de Novais, a marginal de Luanda, centenas de milhares de pessoas de todas as raças acotovelaram-se para os ver desfilar os militares ao som do Hino Nacional e, de Angola é Nossa.

MARCHA MILITAR-ANGOLA É NOSSA.











       Um Herói é condecorado por pelo Chefe da Nação, 
      Prof. Dr. António de Oliveira Salazar. 

   
Um Herói é condecorado pelo Presidente da República, 
Almirante - Américo Tomás.



EM 1967 EM ANGOLA,
ERAM CRIADOS OS GRUPOS ESPECIAIS DE COMBATENTES:
 

 Os Flechas
                                                                



 Comandante Daniel Roxo com o seu grupo de combatentes.

O Comandante Daniel Roxo-
Um mito que foi um Herói e uma Lenda na luta contra o Terrorismo!
Conhecido como "o Fantasma da Floresta".



O objectivo fundamental do partido comunista (mal)dito português era a expulsão de Portugal dos territórios ultramarinos, designadamente de Angola.  

A intervenção americana no que respeita a 1974, teve um condicionamento e um condicionalismo internos, ténues que fossem. Mas, não em 1961, ligados à corrida do café, tornado produto rico no termo da II Guerra Mundial, com os americanos a tornarem-se seus grandes apreciados e consumidores, não há dúvida a sua participação, para o rebentamento da onda terrorista de 15 de Março de 1961 no norte de Angola, o condicionalismo internacional é de longe o mais importante - ia mesmo a dizer o único que merece a maior atenção - dada a extrema violência e a extensão do movimento. 
O 25 de Abril de 1974, gira em torno dos famosos "ventos da História" que já sopravam com estrépito e alarido... vindo a calar-se misteriosa e miseravelmente quando a satânica ex-União Soviética finalmente estoirou de modo hilariante.
    
O 15 de Março de 1961, é propositadamente esquecido pela esquerda porque é favorável a Portugal, ultrapassou em ferocidade tudo quanto é lícito supor: homens, mulheres, crianças esquartejados, queimados e serrados vivos; filhos mortos diante dos pais, mulheres violadas e mortas diante dos maridos...crianças mortas, espostejadas nos seus berços... Intuito de tamanha selvajaria, que acompanha a implantação do comunismo - o socialismo científico - em todo o mundo: afastar os portugueses europeus de Angola, pela Violência, pelo Terror, pelo Medo. 
Na ONU sabia-se com antecedência do que iria acontecer e esperava-se uma vitória rápida e segura dos amotinados!...Vê-se quem tinha a mão por baixo. De outra parte, os terroristas foram armados, municiados, drogados e fanatizados com promessas de todo o género por estrangeiros, como sobejamente se sabe. 
O facto de a violência indescritível ter caído também sobre os trabalhadores Bailundos é denunciador do desejo do bakongo - a tribo revoltada - vir a governar Angola... Não é nada de admirar: em África a solidariedade entre tribos não existe.

  A vitória portuguesa frente ao terrorismo no norte de Angola, foi um duro golpe aos congoleses, soviéticos e chineses de Lumumba, e aos americanos de Holden Roberto.
A derrota do terrorismo deixou os americanos tão admirados ( à causa da guerra no Vietnam)  que solicitaram informação sobre as tácticas usadas. Nesta derrota ao terrorismo do 15 de Março e os meses seguintes a população civil de todas as etnias, também, teve grande contributo no restabelecimento da paz e da ordem.

A senha em código, com as instruções da UPA  para os ataques e lista com alguns nomes dos cabecilhas.
" (CASAMENTO DA FILHA DE NOGUEIRA), limpar bem as aldeias, as árvores que dão sombra nesta cidade devem ser todas cortadas. Os que estão nas aldeias ou Kimbos devem vir na cidade para festejarem. Pintar bem as pontes."
O (CASAMENTO DA FILHA DE NOGUEIRA) - significava os acontecimentos  do dia 15 de Março.
Limpar bem as aldeias – significava destruir, incendiar e, matar os trabalhadores Bailundos.
As árvores que dão sombra nesta Cidade devem ser cortadas – significava cortar as cabeças de todos os portugueses homens, mulheres e crianças.
Os que estão nas aldeias ou Kimbos  devem vir na cidade para festejarem – significava  irem  todos para as matas.
Pintar bem todas as pontes – significava  destruí-las. 
No caso das crianças, as ordens dadas verbalmente pelos mandatários e pelos feiticeiros aos assassinos terroristas, eram explícitas: (têm que matar todas as crianças, porque quando crescerem vão ser colonialistas e, para elas morrerem têm que lhes cortar as cabeças para terem a certeza que estão mortas e, fazerem o mesmo com as crianças que vão nascer das mulheres que estão grávidas, elas não podem nascer).


Os cabecilhas dos terroristas do Congo que entraram para Angola:
Pedro Vida Garcia,  Manuel Bernardo,  Manuel Cosme, Tussamba Kua Nzambi,  José Lelo e Pedro Rodrigues Sadi, Holden Roberto (José Gilmore ou Rui Ventura), Frantz Fanon de nacionalidades antilhana, argelina e congolesa. De origens remotas dos Dembos (Angola),  Manuel Cosme e José Lelo.
Algumas zonas distribuídas a alguns cabecilhas dos terroristas e locais de reunião:
Bengo (Luanda), Uíge e Kuanza Norte (Malange), em 10 de Março no Centro de Nova Caipemba,
Bengo (Luanda), Uíge e Kuanza Norte (Malange).
Província do Uíge:  Pedro Vida Garcia, Manuel Bernardo e Pedro Rodrigues Sadi.
O  detonador de sinal para os ataques foi no Clube de São Salvador do Congo,  às 00h00 do dia 14 de Março de 1961, hora transitória para o dia 15, lançado por Frederico e Manuel Cosme. 
Um dos locais de reunião foi junto à igreja no centro de Nova Caipemba no dia 10 de Março.



Do Livro "LONGE É A LUA" - Memórias de Luanda-Angola, de Rogéria Gillemans. Op. cit., P.98 a 102, ISBN 978-989-20-1341-1. Reservado o direito de autor, previsto e protegido pela Lei, como tal, a sua cópia total ou parcial não autorizada é um acto ilícito passível de acção, previsto na Lei!
                              
      

 EM MEMÓRIA DE TODAS AS VÍTIMAS DO TERRORISMO DE 1961,
 A 04 DE FEVEREIRO EM LUANDA, E 15/16 DE MARÇO NO NORTE DE ANGOLA:
"Famílias inteiras destroçadas e, outras, que nunca se recuperaram do trauma"

Quitexe:
Passada a horda dos Energúmenos Assassinos Terroristas, os portugueses para recordarem os mortos colocaram na parede da igreja lápides com os nomes das vítimas assassinadas, mutiladas, esventradas à catanada. Sobressaem e choca as idades das crianças assassinadas, entre elas a filha e o filho de José Albuquerque.
José Albuquerque conhecido por "Faísca"era um campeão português de ciclismo, venceu a volta a Portugal duas vezes, primeiro pelo Clube Atlético de Campo de Ourique, depois com a camisola do seu clube de eleição, o Sporting Clube de Portugal. Nos anos 40 foi para Angola, em Luanda trabalhou nos escritórios do CTT, tempos depois fixou-se no Quitexe onde trabalhava para a empresa de Celestino Guerra. Na manhã  15 de Março de 1961, a mulher e filhos são barbaramente assassinados na vila de Quitexe, durante a sua ausência a Luanda. José Albuquerque caiu em depressão, mergulhado na dor e no álcool, arrastou-se penosamente por Angola, até que um grupo de pessoas o ajudaram a regressar a Portugal, em meados da década de 70. Viria a falecer no início dos 
anos 80.

A Igreja de Quitexe.
  e as lápides com os nomes das vítimas assassinadas pelos Terroristas.



Milhares de portugueses foram assassinados em Terras de Portugal.

 Portugal dAquém e dAlém-Mar:
Honrai a Pátria para que sejais honrados.
Dignificai a Verdade para que sejais dignos.
O que aconteceu em Angola foi "TERRORISMO" ao serviço dos interesses dos inimigos de Portugal

Os verdadeiros heróis foram os primeiros militares do exército português em Angola a irem para as zonas atacadas pelos selvagens e assassinos terroristas, e os civis das populações atacadas que viveram o terror e viram o horror da inumana barbárie dos massacres dos dias 15/16 de Março (à causa do Terrorismo internacional telecomandado pelos EUA, Rússia e China).
Esses militares souberam desafiar os perigos de toda a ordem. Embrenhados nas matas passaram necessidades de toda a espécie: Sem comerem à vários dias (sobrevivendo à base de bolachas) viam os sacos com alimentos lançados por aviões caírem nas zonas onde se escondiam os terroristas. Passando sede tinham receio de beberem água dos rios por temerem estar envenenada, ao mesmo tempo que avançavam tinham que remover milhares de troncos de árvores derrubadas pelos terroristas, tiveram que improvisar pontes por estas terem sido destruídas, fizeram centenas de quilómetros por picadas de terra ou entre matagais por não existirem estradas asfaltadas nas zonas,  dormiam nas matas ao relento por falta de quartéis, em caso de feridos contavam apenas com os escassos socorros que levavam e muitas vezes tinham de os improvisar.
Salvando, protegendo, dando sepultura a corpos mutilados ou, o que restava desses corpos humanos, que fizeram do horror coragem recolhendo peça a peça desses corpos mutilados espalhados por vasta aérea.
Reconstruíndo casas, aldeamentos indígenas, estradas e pontes, transportando pessoas e bens de primeira necessidade ou evacuando doentes em condições meteorológicas adversas, mas sempre com um único objectivo o de salvar e proteger na defesa intransigente da Pátria e do seu povo.
 Estes são os verdadeiros Heróis. 
E, aos horrores e massacres deram o verdadeiro nome...TERRORISMO. 



 Os outros...os arautos da história fabricada nas escolas da Abrilada, onde não há honra nem glória, mas apenas cinza e vergonha. Não viram nada!...Nada reconquistaram!...Nada reconstruíram!... Enganosos, falsos, amorfos seres, inventores de actos e galhardetes que não tiveram, porque são castrados no entendimento da Pátria e na coragem de defenderem compatriotas, chamam "guerra colonial" a uns tiros que um qualquer mísero Terrorista esfarrapado dava para de seguida se esconder nas matas ou fugir para os países vizinhos. Em Angola não existia guerra, nem a qualificação colonial ou colónia existia em Angola.
 



Rogéria Gillemans


A Fortaleza de São Nicolau, que  "alguns" pretendem fazer passar
como uma terrificante cadeia do "regime colonialista de Salazar"

Foi edificada em 1824 junto ao rio São Nicolau, no deserto do Namibe,
 para defesa de Angola contra a invasão e ocupação holandesa e alemã.


Muralhas da Fortaleza São Nicolau

A cadeia São Nicolau, sem muros, a céu aberto
Na área circundante à Fortaleza foram construídas habitações destinadas ao aprisionamento dos Terroristas que serviam apenas os interesses internacionais, e nunca os interesses do povo de Angola. Esta cadeia, Sui generis, foi inaugurada em 1962.

Vista aérea sobre o Campo ou Cadeia São Nicolau.



1968.
 Se, considerarmos que todos os terroristas que cometem crimes contra a humanidade, pelo terror, e assassinatos de pessoas inermes e inocentesdevem ser severamente punidos ou abatidos, não existe comparação, possível, a fazer entre o trato a estes Terroristas e as sevícias praticadas aos seus congéneres em Guantanamo. Os Terroristas em Guantanamo não andarem de bicicleta, nem vestidos desta forma e, muito menos lhes era possível confraternizar entre eles em liberdade. Esses privilégios dados a Terroristas  existiam na "terrificante cadeia São Nicolau" do "regime colonialista de Salazar" onde a qualificação presos se torna ofensiva, tratando-se de Assassinos Terroristas.

                             
                                  Maio 1974, Terroristas abandonando a Cadeia São Nicolau. 

Na Cadeia São Nicolau, de entre os terroristas das hordas da FNLA e do MPLA, mandatários do Terrorismo, e outros instigadores ao terror e ao crime, estavam: O terrorista José Van-Dúnem, o terrorista João Jacob Caetano “o monstro imortal”, o terrorista Bakolov, a terrorista Sita Valles, de origem goesa; diziam-se representantes do MPLA, representantes de Agostinho Neto. Em Maio de 1974 abandonaram a cadeia São Nicolau, foram para Luanda, onde durante o mês de Junho o Terrorista José Van-Dúnem e congéneres desencadearam uma acção, nos muceques, de instigação ao ódio e ao racismo contra os portugueses.
Em 1977 à causa do 27 de Maio,  foram presos, torturados e assassinados pelas mãos e às ordens daqueles que se diziam representar. MPLA e Agostinho Neto. 



 Maio 1974,  um Terrorista  abandonando a Cadeia São Nicolau. 

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